Adotei um gatinho, sim, um gatinho: quatro patas, focinho, preto e branco, desse tipo. Meu gatinho vem visitar-me no carro quando saio do trabalho, sempre em busca da nova ração sabor salmão que ofereço com o coração aquecido.
Meu gatinho come, agradece com um carinho e volta feliz pro buraquinho de onde saiu. Nos fazemos felizes naquele breve momento do dia, uma troca justa, amorosa, deliciosa e, sobretudo, livre.
Meu gatinho e eu não temos convencionalismos: quando ele não está afim, não aparece, quando estou apressada, ele observa de longe como quem diz: "saquei, hoje não vai rolar refeição, apareço quando tiver fome novamente". Nos damos bem assim, sem a obrigação, nos vemos porque nos fazemos felizes no tempo em que estamos juntos e, por conta disso, queremos estar juntos quase que diariamente.
Sempre admirei a liberdade plena dos gatos...quando adolescente, a questão da liberdade povoava demasiadamente minhas idéias, imaginava como seria maravilhosa a liberdade dos 30, mas agora, me pego sonhando com a liberdade inocente e simples da adolescência onde parte somos sonhos, parte ilusões.
Afinal, qual o conceito de liberdade? Dinheiro? Alforria de nossas idéias? Ausência de censura? É gritar pelado pela rua?
Liberdade é estado particular de espírito, união entre idéias e atitudes, respeito pela natureza de cada um, coerência a dois, a três, ao ser enquanto único e unitário.
Defendo a teoria de que boa parcela dos relacionamentos - sejam amorosos, amizades ou até mesmo uma parceria profissional - terminam, porque ao passo que duas ou mais pessoas resolvem se unir, misteriosamente esquecem-se de sua condição enquanto ser humano individual, transformando-se em uma massa única de idéias, obrigações, ações.....e dá-lhe peso.
Somos seres humanos particulares, contraditórios, insaciáveis e, por mais que respeitemos a criação dos pares, buscamos a árdua tarefa do conhecimento individual, daquela liberdade que nos pertence e que é peculiar, tal como uma impressão digital.
Sem liberdade não há amor verdadeiro, amor verdadeiro é respeito máximo pela condição de ser humano.
Nada pior do que dividir a vida com um parceiro que o trata como que adquirido uma indulgência, como se o par tivesse o poder de perdoar todos os seus pecados, ou abrisse as portas para o paraíso, ou ainda, como se união fosse sinônimo de posse, de obrigações.
As obrigações jamais compartilham, o amor sim.
Somos complemento mas, sem querer, permitimos ser esbulhados de nossas vontades. Esquecemos que não completamos o outro, apenas servimos de acessório para harmonizar o visual dos que amamos, somos a salvação de nossas mentes, a própria liberdade.
Hoje meu gatinho não apareceu...fiquei com saudades mas respeito, afinal, mais vale o seu melhor minuto a 1000 horas de sua companhia efêmera.
Pitadas de imaginação e muita realidade, este blog tratará de assuntos cotidianamente essenciais às relações humanas, vezes com seriedade, vezes muito humor.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Buscas...
Nunca consigo elaborar o tema do que escrevo antes de terminar o que tenho a dizer. Por incrível que pareça, o tema é sempre o alvo mais difícil de minha busca literária, é o cartão de visitas que irá determinar se a crônica será ou não interessante. É como apresentar-se em uma festa, adentrar à sala de uma reunião importante, apresentar-se em um show.
Vivemos por aí em busca de temas, de amores, de dores, de odores...vivemos uma constante busca...incrível constatar como somos compostos parte de procura e a outra também. Se está calor, procuramos o frio, se frio, o calor; se temos um amor, estamos insatisfeitos em busca de liberdade, se liberdade temos, nos falta um amor para dividir a vida...
Se temos dinheiro, queremos mais tempo, se mais tempo, queremos mais amigos...se temos a família, queremos a perfeição da margarina, se não a temos, queremos um cachorro...é a tal busca que nunca acaba.
Vivo me questionando se tais buscas servem para nos tirar da famosa "zona de conforto" ou se para nos angustiar...às vezes, acho que mais amedronta que motiva.
Um bom exemplo é o amor entre homem e mulher. Normalmente a tendência do amor é de um sentimento que se finda, seja porque uma das partes conheceu alguém a buscar novas descobertas, seja porque simplesmente o sentimento acabou.
Ideal seria que tal sentimento morresse ao mesmo tempo, como que um pacto, tal como na maioria das vezes ele começa, mas com o fim nunca é assim....o fim vem sempre sem avisar e nunca se apresenta com carinho e benevolência, é sempre dolorido, estorquido, exautivo. Nos cria como seres humanos amedrontados, abalados, escaldados...é o processo natural da perda.
Lidar com perdas, fére tanto o âmago de nossas almas que nos cria uma "capa natural e indestrutível", como o super homem que se transforma a cada perigo, colocamos nossa roupagem especial para lidar com o próximo amor.
Mas do que adianta defesa se o que queremos é a entrega?
Do que adianta esquivar-se da batalha se vestimos uma capa acreditando justamente que ela nos fará vencer?
Somos resistentes ao amor porque sabemos que, no fundo, impossível seria não nos entregarmos a ele.
O tema? Ainda estou buscando...
Vivemos por aí em busca de temas, de amores, de dores, de odores...vivemos uma constante busca...incrível constatar como somos compostos parte de procura e a outra também. Se está calor, procuramos o frio, se frio, o calor; se temos um amor, estamos insatisfeitos em busca de liberdade, se liberdade temos, nos falta um amor para dividir a vida...
Se temos dinheiro, queremos mais tempo, se mais tempo, queremos mais amigos...se temos a família, queremos a perfeição da margarina, se não a temos, queremos um cachorro...é a tal busca que nunca acaba.
Vivo me questionando se tais buscas servem para nos tirar da famosa "zona de conforto" ou se para nos angustiar...às vezes, acho que mais amedronta que motiva.
Um bom exemplo é o amor entre homem e mulher. Normalmente a tendência do amor é de um sentimento que se finda, seja porque uma das partes conheceu alguém a buscar novas descobertas, seja porque simplesmente o sentimento acabou.
Ideal seria que tal sentimento morresse ao mesmo tempo, como que um pacto, tal como na maioria das vezes ele começa, mas com o fim nunca é assim....o fim vem sempre sem avisar e nunca se apresenta com carinho e benevolência, é sempre dolorido, estorquido, exautivo. Nos cria como seres humanos amedrontados, abalados, escaldados...é o processo natural da perda.
Lidar com perdas, fére tanto o âmago de nossas almas que nos cria uma "capa natural e indestrutível", como o super homem que se transforma a cada perigo, colocamos nossa roupagem especial para lidar com o próximo amor.
Mas do que adianta defesa se o que queremos é a entrega?
Do que adianta esquivar-se da batalha se vestimos uma capa acreditando justamente que ela nos fará vencer?
Somos resistentes ao amor porque sabemos que, no fundo, impossível seria não nos entregarmos a ele.
O tema? Ainda estou buscando...
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Equilibrando bolinhas
No sinal, um artista de rua pára em frente ao meu carro e aponta em minha direção. Pude ler em seus lábios algo parecido como "este (show) é especialmente pra você". Presto então atenção enquanto o artista lança orgulhoso suas três tão manjadas bolinhas ao ar.
Após uns 10 segundos de "show", o artista deixa uma de suas bolinhas cair no chão e aquela situação o deixa tão envergonhado e desanimado que só lhe coube resgatar a bolinha desobediente e sentar ao meio fio, olhar ao chão e em direção oposta à minha. Era nítida a sensação de fracasso que ele experimentava naquele momento. O sinal abriu e meu destino seguiu.
Aquele simples artista de rua, sem querer, me fez refletir sobre a forma como as pessoas lidam de diferentes maneiras com seus objetivos e frustrações cotidianas, até mesmo nas pequenas coisas.
Logo depois fui correr e especialmente naquele dia estava desanimada e meu desempenho absurdamente pior que o usual...queria saltar daquela esteira maldita e terminar meu treino correndo até a pizzaria mais próxima, afinal, desculpas esfarrapadas para fugir de nossos objetivos nunca nos falta. Quando meu dedo quase encerrava precocemente o treino, o tal artista, equilibrista frustrado, me vinha à cabeça. Aquela bobagem fez com que continuasse meu treino, e aumentasse o rendimento. Cada vez que eu pensava em desistir, uma bolinha caía em minha mente.
Sem perceber, fazemos isso o tempo todo. Desistimos de nossos "shows" pelo receio da frustração, ou porque é sempre mais fácil lidar com o anonimato, às críticas. Não realizar um "show", muitas vezes, é tão importante quanto desempenhá-lo com louvor, pois é através da frustração que nasce o desenvolvimento, e do sofrimento, o amadurecimento.
Em meu destino, segui na mão com a moeda de 1 real que havia separado para meu artista frustrado...ele não estava preparado para qualquer recompensa por seu trabalho, talvez lhe tenha faltado humildade e compaixão por sí mesmo, ou talvez apenas uma pitada de senso de humor para com seus erros.
Porque será que somos tão mais complacentes com o erro alheio, aos nossos?
Merecemos sempre uma moedinha de 1 real por nossos shows frustrados, afinal, pior que fracassar é deixar a vida passar sem ao menos se arriscar.
Após uns 10 segundos de "show", o artista deixa uma de suas bolinhas cair no chão e aquela situação o deixa tão envergonhado e desanimado que só lhe coube resgatar a bolinha desobediente e sentar ao meio fio, olhar ao chão e em direção oposta à minha. Era nítida a sensação de fracasso que ele experimentava naquele momento. O sinal abriu e meu destino seguiu.
Aquele simples artista de rua, sem querer, me fez refletir sobre a forma como as pessoas lidam de diferentes maneiras com seus objetivos e frustrações cotidianas, até mesmo nas pequenas coisas.
Logo depois fui correr e especialmente naquele dia estava desanimada e meu desempenho absurdamente pior que o usual...queria saltar daquela esteira maldita e terminar meu treino correndo até a pizzaria mais próxima, afinal, desculpas esfarrapadas para fugir de nossos objetivos nunca nos falta. Quando meu dedo quase encerrava precocemente o treino, o tal artista, equilibrista frustrado, me vinha à cabeça. Aquela bobagem fez com que continuasse meu treino, e aumentasse o rendimento. Cada vez que eu pensava em desistir, uma bolinha caía em minha mente.
Sem perceber, fazemos isso o tempo todo. Desistimos de nossos "shows" pelo receio da frustração, ou porque é sempre mais fácil lidar com o anonimato, às críticas. Não realizar um "show", muitas vezes, é tão importante quanto desempenhá-lo com louvor, pois é através da frustração que nasce o desenvolvimento, e do sofrimento, o amadurecimento.
Em meu destino, segui na mão com a moeda de 1 real que havia separado para meu artista frustrado...ele não estava preparado para qualquer recompensa por seu trabalho, talvez lhe tenha faltado humildade e compaixão por sí mesmo, ou talvez apenas uma pitada de senso de humor para com seus erros.
Porque será que somos tão mais complacentes com o erro alheio, aos nossos?
Merecemos sempre uma moedinha de 1 real por nossos shows frustrados, afinal, pior que fracassar é deixar a vida passar sem ao menos se arriscar.
domingo, 9 de outubro de 2011
Enfim, sós!
Feliz por finalmente ter despendido tempo para a criação deste Blog. Para alguém - internéticamente falando - impaciente como eu, acreditem, isso é um grande feito, mas após incentivos de amigos resolvi me encorajar a essa nova empreitada, que espero seja de grande sucesso. (Grande sucesso leia-se: que preste positivamente a alguém).
A maior dificuldade encontrada foi a escolha do nome. Um bom nome para um blog deve, por sí só, passar a idéia do que o blogueiro tem (ou não) a agregar...então, baseando-se nisso, criei o "Vida sem protocolo", um blog que vai discutir o quanto perdemos, ganhamos, atrasamos, adiantamos, percebemos, sintetizamos e falsificamos nossos protocolos comportamentais, e até onde efetivamente isso nos leva...muitas vezes terei coisas bacanas a repartir, outras nem tanto, mas acho que por hora, o mais importante é que estamos "enfim, sós" e o melhor: sem protocolo algum!
Hasta la vista!
A maior dificuldade encontrada foi a escolha do nome. Um bom nome para um blog deve, por sí só, passar a idéia do que o blogueiro tem (ou não) a agregar...então, baseando-se nisso, criei o "Vida sem protocolo", um blog que vai discutir o quanto perdemos, ganhamos, atrasamos, adiantamos, percebemos, sintetizamos e falsificamos nossos protocolos comportamentais, e até onde efetivamente isso nos leva...muitas vezes terei coisas bacanas a repartir, outras nem tanto, mas acho que por hora, o mais importante é que estamos "enfim, sós" e o melhor: sem protocolo algum!
Hasta la vista!
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