sábado, 24 de novembro de 2012

Amanheça


Você acredita que no auge da maturidade atinente aos 30 anos – quanta arrogância – uma saga adolescente jamais vai te tocar. Imagina! Vampiros com poderes de X-Man, dilemas adolescentes, um triângulo amoroso intenso e surreal onde uma magrela inexpressiva é disputada a tapas pelo vampiro sem “borogodó” e o lobo gostosão...pois é, ontem estive vendo “Amanhecer 2” e tanto eu como boa parte das 10 adultas que estavam comigo, pareciam tão adolescente quanto as leitoras da “Capricho”.
Voltei do cinema pensando na razão pela qual 80% das salas do mundo – veja bem, eu disse do mundo – seguem lotadas de pessoas ávidas pela última parte do romance teen. Eu mesma relutei em aderir a idéia de que a cada filme, aguardara o próximo como uma criança que anseia pelo recreio.
Acontece que o filme não é esse fenômeno todo porque possui o vocabulário mais escorreito, ou por ser cheio de idéias elocubrantes. Ouvi de uma amiga que “o filme não me acrescentaria em nada”. Ora, como não?!
O filme é o que é porque nos faz sentir a nostalgia daquele sentimento que se esvai na vida adulta (pelo menos, não aconselho que se coexista com ele), mas que aos 15 era o sentido mais lógico do da nossa existência: a idéia do amor incondicional, a certeza de que a vida é repleta de aventuras instigantes, dramas envolventes, a esperança do “feliz para sempre” e de que casais que se amam, superam tudo em prol do amor eterno.
Há quase duas décadas atrás, acreditava que aos 20 estaria morando sozinha, aos 25 (bem) casada, aos 30 rica, e que todos os amigos iriam comigo para sempre. Tsc, cá estou, sem vampiros, lobos ou Cinderelas. Não há sapatos de cristal, nem vítimas de madrastas más. Há contas para pagar, dramas a resolver, passados a administrar...a idéia não é tão sedutora, mas é como a vida funciona: sem dramas, sem remoer o passado, sem temer o futuro, a vida é o agora, é tudo o que você tem.
Há os que fogem do passado porque temem a fluidez do futuro e enquanto isso, olha o presente aí gente! Passando na sua frente, tornando-se passado novamente.  Acabou, a vida seguiu....e você preso em conceitos, em estereótipos, em sonhos adolescentes.
Nada é pra sempre. Sua família, seus amigos, a sua existência (ao menos a material). Um grande amor, o melhor dos empregos, o prato mais caro do restaurante, a brisa da manhã, a obra do vizinho, a noite assustadora. A dor da culpa, o fantasma do ressentimento, a sensação do fracasso. Cíclicos, sazonais e completos, essas são as espécies de sentimentos, afinal, como entender a felicidade sem a tristeza? O amor sem a indiferença? O aconchego sem a solidão? Nem com mil horas de puro vampiro! Ser feliz é estado de consciência, do que é bom, do que é ruim. É saber reverenciar o que se inicia e despedir-se do que já chegou ao fim.
E assim os deixo com as palavras da Martha Medeiros: “Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente."