quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Equilibrando bolinhas

No sinal, um artista de rua pára em frente ao meu carro e aponta em minha direção. Pude ler em seus lábios algo parecido como "este (show) é especialmente pra você". Presto então atenção enquanto o artista lança orgulhoso suas três tão manjadas bolinhas ao ar.

Após uns 10 segundos de "show", o artista deixa uma de suas bolinhas cair no chão e aquela situação o deixa tão envergonhado e desanimado que só lhe coube resgatar a bolinha desobediente e sentar ao meio fio, olhar ao chão e em direção oposta à minha. Era nítida a sensação de fracasso que ele experimentava naquele momento. O sinal abriu e meu destino seguiu.

Aquele simples artista de rua, sem querer, me fez refletir sobre a forma como as pessoas lidam de diferentes maneiras com seus objetivos e frustrações cotidianas, até mesmo nas pequenas coisas.

Logo depois fui correr e especialmente naquele dia estava desanimada e meu desempenho absurdamente pior que o usual...queria saltar daquela esteira maldita e terminar meu treino correndo até a pizzaria mais próxima, afinal, desculpas esfarrapadas para fugir de nossos objetivos nunca nos falta. Quando meu dedo quase encerrava precocemente o treino, o tal artista, equilibrista frustrado, me vinha à cabeça. Aquela bobagem fez com que continuasse meu treino, e aumentasse o rendimento. Cada vez que eu pensava em desistir, uma bolinha caía em minha mente.

Sem perceber, fazemos isso o tempo todo. Desistimos de nossos "shows" pelo receio da frustração, ou porque é sempre mais fácil lidar com o anonimato, às críticas. Não realizar um "show", muitas vezes, é tão importante quanto desempenhá-lo com louvor, pois é através da frustração que nasce o desenvolvimento, e do sofrimento, o amadurecimento.

Em meu destino, segui na mão com a moeda de 1 real que havia separado para meu artista frustrado...ele não estava preparado para qualquer recompensa por seu trabalho, talvez lhe tenha faltado humildade e compaixão por sí mesmo, ou talvez apenas uma pitada de senso de humor para com seus erros.

Porque será que somos tão mais complacentes com o erro alheio, aos nossos?

Merecemos sempre uma moedinha de 1 real por nossos shows frustrados, afinal, pior que fracassar é deixar a vida passar sem ao menos se arriscar.

5 comentários:

  1. Putz ! ! ! ! ! CRÔNICA M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A ! !
    Concordo integralmente. Tive no ano de 2010 o pior ano de toda a minha vida. Juntei os caquinhos e 2011 foi reconstrução. 2012 que me espere! Tenho como ideal condutor a frase de Artur no Filme Shrek: Se queres realmente alguma coisa o único que podes realmente impedir-te de alcança-la és tu.
    Parabéns pela iniciativa do Blog. Saiba que serei um leitor assíduo.
    Bjsss

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  2. Parabéns é pouco a lhe dizer, amiga!
    Que você continue com essa visão crítica, romântica e leve da vida. O blog é uma prova que a sua determinação, inteligência e vontade de vencer são implacáveis!
    Te admiro cada vez mais, és realmente uma pessoa especial e única!
    Que venham mais textos que nos façam refletir e viver melhor!
    Bjos!!!

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  3. Amei, amiga, um texto com mta sensibilidade. Mto bom saber que teremos aí mais um blog com textos inteligentes e sensíveis, poucas pessoas conseguem enxergar pequenos detalhes ( e tão importantes) no nosso cotidiano... estamos sempre com pressa, preocupados, estressados, etc... Parabéns, amiga, adorei!!! Adriana Neimi

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  4. Adriana Araujo>>>

    Concordo pelnamente, nada vale mais apena na vida do que, viver, experimentar, fazer bem e fazer mal, gostar e nao gostar, mudar...ou seja se descobrir! E sim, merecemos sempre uma moedinha de um real a todas as nossas tentativas! Viver eh movimento! Parabéns amiga

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  5. A vida é cheia de shows cotidianos, temos que separar um cofrinho com moedinhas de 1,00 e continuarmos tentando sempre!

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